Capela trouxe
os primeiros habitantes à Consolação
Um pequeno povoado começou
a nascer na região da Consolação quando, por volta
de 1779, devotos de Nossa Senhora da Consolação levantaram
uma pequena capela dedicada à santa. Na época afastada da
cidade, a região possuía apenas chácaras com plantações
de hortaliças, frutas e chá, por onde cruzava o Caminho
de Pinheiros ou Caminho de Sorocaba.
Por esses caminhos, onde hoje é a rua da Consolação,
passavam as tropas de burros vindas de Sorocaba ou que subiam para o bairro
de Pinheiros. No local escolhido pelo devotos também eram realizadas
as feiras de bestas de carga, onde vendiam-se animais de outros estados.
Vinte anos depois, em
1799, o pequeno santuário transformava-se na Igreja de Nossa Senhora
da Consolação, o que traz os primeiros moradores àquela
região desabitada e afastada da cidade. Registro de um fiscal enviado
pela Câmara Municipal ao local, em 1834, mostra que o local não
tinha nada de aprazível. Ao contrário, existia um enorme
pantanal na entrada da igreja, na subida do morro, o que resultava em
barro, lama e grandes poças estagnada.
No entanto, a construção da igreja faz com que o governo
da cidade melhore a região, abrindo ruas e aterros que passam a
fazer parte do cenário.
Irmandade
Logo depois da construção
da igreja, é criada a Irmandade de Nossa Senhora da Consolação
e São João Batista. A instituição concede
grande importância ao lugar, porque amparava os portadores de doenças
graves que vagavam pela província.
Com o reconhecimento da iniciativa da irmandade, da qual participava José
Manuel da Silva, o Barão de Tietê, a Santa Casa de Misericórdia
doa-lhes um prédio e o privilégio de tratar de doentes acometidos
pela mal de Hansen (lepra).
Com o aumento da população e a conseqüente urbanização,
o número de fiéis cresce ainda mais.
Assim, em 1840, a Igreja da Consolação, subordinada à
Igreja de Santa Efigênia, passa por uma ampliação:
ganha cinco janelas, duas torres, escadas de acesso e novas portas de
entrada.
O cemitério
Em 1855, uma epidemia
de cólera-morbo atinge a província e, para tratar os doentes,
a irmandade improvisa 30 leitos no pátio da igreja. Com o avanço
da epidemia, havia a necessidade de enterrar as vítimas. No entanto,
antes de começar a sepultar seus mortos em cemitérios, a
população enterrava-os nos cemitérios de três
igrejas, na da Misericórdia, na da Boa Morte e na do Rosário.
Muitos anos antes, no fim do século 18, o governo de Portugal já
alertara o bispo da cidade sobre a necessidade da construção
de cemitérios separados, para evitar os males dos enterramentos
dentro das igrejas. Dessa forma, em 1854, a Câmara Municipal mandou
edificar um cemitério público.
O primeiro projeto previa a construção de um cemitério
em Campo Redondo, hoje Largo dos Guaianazes, atual praça Princesa
Isabel. Mas a Câmara levou em conta um lugar mais afastado da cidade
e sem moradores, e escolheu o Alto da Consolação.
O Cemitério Público da Consolação começou
a ser construído em 1854 e foi aberto no dia 3 de julho de 1858,
por ocasião de uma epidemia de varíola que afligia a capital.
Alguns anos depois, o cemitério se tornou símbolo de ostentação
e acompanhou a falência de famílias tradicionais da região
que crescia. Prova disso é a riqueza dos túmulos, com esculturas
diversas, inclusive com obras de Victor Brecheret.
Lá estão enterrados a marquesa de Santos, Domitila de Castro,
a mais famosa amante do imperador Dom Pedro 1º, os ex-presidentes
Prudente de Morais e Campos Sales, a família Matarazzo, e grandes
escritores, como Mário de Andrade e Monteiro Lobato.
Paróquia
Em 1870, com uma população
que já atingia a marca de 3,5 mil habitantes nas redondezas, a
Igreja da Consolação foi elevada a sede da paróquia.
À elas se subordinaram as igrejas da Santa Cruz das Perdizes (até
1879) e de Santa Cecília (até 1892).
Em 23 de março do mesmo ano, o bairro é denominado distrito.
Nos seus arredores já instalavam-se as famílias da elite
paulistana, que moravam em grandes chácaras localizadas nas proximidades.
Sua freguesia estendia-se do Anhangabaú a futura Avenida São
João e o rio Tietê.
Abastecimento
Com o crescimento da cidade,
o abastecimento surge como um novo agravante à população.
Assim, em 1878, começam a ser feitas as obras da primeira caixa
de abastecimento no Alto da Consolação. O serviço
estava a cargo da Companhia Cantareira.
Três anos depois a caixa começa a receber as águas
da serra da Cantareira, Cabuçu e rio Cotia, que abastecem os chafarizes
do Campo da Luz e dos largos de São Bento, do Guaianazes, Sete
de Abril (praça da República) e do Pelourinho.
Ruas e Avenidas
Com a proclamação
da República, em 1889, quase todos os donos de chácaras
antigas do bairro do bairro mandam abrir ruas, avenidas, alamedas e largos
em suas terras.
Com o surgimento da avenida Paulista, em 1891, o distrito ganha importância.
De fronteira a região central a região valorizou-se muito
por causa da sua localização, fazendo surgir bairros nobres
como Higienópolis e Pacaembu.
Velódromo
e seminário
Foi também na rua
da Consolação que apareceu o primeiro velódromo da
cidade. Em 1894, bicicletas começaram a ser importadas e logo mulheres
e homens aderiram ao esporte. Um desses homens era Antônio Prado,
que resolveu nivelar suas terras no local para dar origem ao Velódromo
Paulista.
A pista tinha uma raia de 380 m por 8 m de largura e arquibancada de 700
m de comprimento, para 800 espectadores. Além disso, o velódromo
possuía também quadras de tênis, campo de futebol
e tanques para banho. Segundo o historiador Ernani Silva Bruno, no livro
"História e Tradições da Cidade de São
Paulo", o local foi "a célula-máter do atletismo
em São Paulo".
Outra instituição que passou pelo local foi o seminário
da Glória. Depois de passar por um casarão no beco do Sapo,
atual rua do Seminário, instalou-se, em 1898, na sede da chácara
de Dona Veridiana Prado. O casarão ficava junto à Igreja
da Consolação, e a chácara estendia-se até
a altura das atuais avenida 9 de Julho e rua Augusta.
Atual igreja
Em 1907, o prédio
original da igreja da Consolação foi derrubado. Com a vinda
de novos moradores e a criação de novas ruas, o templo antigo
já não suportava tantas pessoas. A construção
de um novo projeto ficou ao cargo do professor de arquitetura da Escola
Politécnica, Maximiliano Hehl, responsável pelas catedrais
da Sé e de Santos. Erguida em estilo românico-bizantino,
a igreja agora recebe traços da arquitetura gótica em sua
fachada, enquanto o seu interior segue características românicas.
A obra demorou cerca de 20 anos para ficar pronta.
Duplicação
Com o intuito de criar
novas alternativas para o trânsito na cidade, o prefeito Faria Lima
decidiu duplicar e ligar a rua da Consolação diretamente
às avenidas Rebouças e dr. Arnaldo. As obras começaram
em 1965 e terminaram em 1968, depois de diversas desapropriações
e demolições do lado ímpar da Consolação,
entre a rua Dona Antônia de Queiróz e a avenida Paulista.
A área expropriada para possibilitar o alargamento da rua foi de
21.600 m2.
Em 1972, foi construída, num dos pontos mais movimentados da avenida,
uma passagem de pedestres que fica embaixo da rua do Consolação.
A Galeria da Consolação fica em um dos pontos mais movimentados
da via, onde estão cinemas, boates, bares e restaurantes, e por
lá passam diariamente milhares de pessoas.
Atualmente, o bairro da Consolação concentra bares e lanchonetes,
na rua Augusta, serviços bancários, na avenida Angélica,
e ainda conta com um comércio local variado, espaços de
lazer, uma boa rede de hotéis, hospitais, escolas bancos e restaurantes.
Localizado a aproximadamente dois quilômetros da Praça da
Sé, a região é servida pelas estações
da República, Anhangabaú e Santa Cecília do Metrô.
Na rua da Consolação também fica a Biblioteca Mário
de Andrade, com um acervo de mais de 450 mil títulos e uma coleção
com mais de oito mil livros raros.
O bairro conta também com várias escolas da rede estadual
e colégios como o Rio Branco, Caetano de Campos e São Luis.
Ali também se encontram a Fundação Armando Álvares
Penteado (Faap), o campus da Faculdade de Matemática, Física
e Computação da Pontifícia Universidade Católica
(PUC) e a Universidade Mackenzie.
Em 1987, alguns moradores cogitaram em mudar o nome de um trecho da Consolação,
entre a alameda Santos e a rua Estados Unidos, para alameda Poeta Drummond.
Mas a homenagem ao mineiro Carlos Drummond de Andrade não deu certo.
A maioria dos moradores da rua discordou da idéia.
A visita monitorada é parte do projeto Arte Tumular, idealizado
pelo Serviço Funerário do Município de São
Paulo, a partir de pesquisas realizadas pelo historiador Délio
Freire dos Santos, falecido em 2001.
Agendamento de visitas: fone (11) 3247-7078/7006 (Assessoria de Imprensa
e Comunicação).
AGRADECIMENTO A FONTE
DE PESQUISA.
http://portalprefeitura.sp.gov.br
Por Danilo Janúncio Alves
do Banco de Dados.
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