Por que em dia de finados chove?

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"Gosto de contar e repetir a história do lorde e do mordomo. Estavam os dois, o lorde e o mordomo, em frente à imensa janela que se abria para os verdes campos da velha e querida Inglaterra. Empertigado, solene em seu fraque funcional, e só para dizer alguma coisa, o mordomo comenta: "Meu senhor, acho que teremos chuva". Sentado em sua poltrona de couro, o lorde corrige o mordomo: "Não, meu caro James, não teremos chuva. Eu terei a minha chuva e você terá a sua chuva!". (Uso o nome de James porque acredito que todos os mordomos ingleses se chamem James).
É isso aí. Cada um tem a sua chuva e os seus mortos. Eu tenho os meus, e bastam. Não tenho por que chorar os mortos dos outros, tantos. Na realidade, nem chego a chorar pelos meus. Lembro deles com carinho, mais carinho do que saudade. Carinho pelo que foram para mim em vida, carinho e gratidão pela lição que de alguma forma me deram, ao viver e, principalmente, ao morrer."

Fonte: Folha de S. Paulo