ESCULTORES E SUAS OBRAS

ALFREDO OLIANI | AMADEO ZANI | BRUNO GIORGI | CELSO ANTONIO DE MENEZES | ELIO DE GIUSTO | ENRICO BIANCHI | EUGENIO PRATI
FRANCISCO LEOPOLDO E SILVA | GALILEU EMENDABILI | JEAN MARIE JOSEPH MAGROU | LUIGI BRIZZOLARA | MARMORARIA J. SAVOIA
MATERNO GARIBALDI | NICOLA ROLLO | NICOLINA VAZ DE ASSIS | OTTONI ZORLINI | RODOLFO BERNARDELLI | ROQUE DE MINGO | VICTOR BRECHERET

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ALFREDO OLIANI (São Paulo, 1906 + São Paulo, 1988)

Freqüentou a Escola de Belas-Artes de São Paulo e a Academia de Belas-Artes de Florença. Em São Paulo, estudou com Nicola Rollo e Amadeo Zani, e na Itália com Giuseppe Grazziosi, autor de um excelente trabalho que se encontra no Cemitério da Consolação.

Participou das coletivas do Salão Paulista de Belas-Artes, obtendo medalha de ouro e grande medalha de ouro. Um dos mestres do nu executou magníficos trabalhos no Cemitério São Paulo: lindas mulheres, em bronze, em sensual postura e soberbos grupos escultóricos onde o nu é exuberantemente apresentado. Assinava A. OLIANI.

AMADEO ZANI ( Rovigo, Itália, 1869 + Niterói, 1944)

Escultor e professor. Veio para o Brasil em 1887, fixando-se em São Paulo. Discípulo de Rodolfo Bernadelli. Estudou na Academia de Filippo Colarossi, em Paris, e na Academia Rafael Sanzio, em Roma. Trabalhou com o arquiteto Gaudenzio Bezzi na construção do Museu Paulista.

Professor do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Obteve medalha de ouro no I Salão Paulista de Belas-Artes. Um dos fundadores da Academia de Belas-Artes de São Paulo. Zani, além de escultor também trabalhou em ornatos "art-nouveau". Autor de vários túmulos no Cemitério da Consolação, em destaque o do escritor Eduardo Prado (1901) e o do Conde Alexandre Siciliano (1927), imponente capela em estilo assírio-babilônico com possantes leões, símbolos da vigilância e animais adorados pelos assírios.

Dentre suas obras destacam-se a "Fundação de São Paulo" Pátio do Colégio, 1913 (implantada em 1925) com 25,85m, "Verdi" (1916), no Anhangabau, com 5,23m, considerada pelo artista sua melhor obra, "Alfredo Maia" (1922) com 3,38m, Praça Fernando Prestes. Professor de muitos dos nossos maiores escultores. Assinava ZANI, A. Zani e A. ZANI.

BRUNO GIORGI (Mococa, 1905 + Rio de Janeiro, 1993)

Escultor, pintor, desenhista e gravador. Estudou em Roma com Loss e em Paris, onde foi aluno do grande mestre Aristide Maillol um dos maiores representantes da escultura francesa do início do século XX, freqüentando as academias de Raçon e Grand-Chaumière. Grande escultor de fama internacional.

Criador de formas abstratas, (seu trabalho "Prece" no Cemitério da Consolação é o único nesse estilo encontrado em necrópoles paulistanas), comprometido com uma linguagem mais contemporânea, Bruno Giorgi representou a simplificação dos elementos descritivos em proveito de volumes fortes, acentuando a matéria da escultura. Contemplando-os vem-nos à mente o axioma de Leonardo Da Vinci "L' arte é cosa mentale".

Sob a influência de Maillol sua carreira atravessou várias fases, desde as de maior predomínio naturalista até os volumes abstratos. Assinava BG e Bruno Giorgi. Embora preferisse para seus trabalhos abstracionistas o mármore de Carrara, a partir de 1975 Giorgi voltou à figura humana do início da sua carreira, esculpindo-as com os torsos mutilados, freqüentemente trabalhados no mármore rosa de Estremoz, norte de Portugal, em cujas cercanias instalou um ateliê.

CELSO ANTÔNIO DE MENEZES (Maranhão, 1896 + Rio de Janeiro 1984)

Freqüentou o ateliê de Rodolfo Bernardelli e de Antoine Bourdelle, aluno de Falguière, famoso estatuário de influência florentina, em Paris. Estilo personalíssimo: harmonia e síntese da figura humana, com extraordinária força plástica. Influenciado pela arte egípcia a arte de Celso Antônio tende ao monumental, caracterizando-se pelo vigor expressionista que soube imprimir às suas figuras.

Em seus trabalhos as dimensões se exaltam através das massa robustas. Escultura muito sóbria, senhor das verdadeiras leis da boa arte, tornou-se um dos nomes mais respeitáveis da escultura brasileira.

Celso Antônio trouxe da Europa seu nome feito. O famoso arquiteto Le Corbusier chegou a afirmar ser um dos seus sonhos ver um dia, diante de uma das suas modernas construções, um trabalho assinado pelo artista. Suas esculturas na necrópole da Consolação, com altura que variam de 2,50m à 3,15m proporcionam um impacto visual inesperado e estão entre as que mais agradam os visitantes. Assinava CELSO ANTÔNIO.

ELIO DE GIUSTO (Itália, 1899 + São Paulo, 1935)

Escultor falecido ainda jovem, com diversas obras nas necrópoles paulistanas. Premiado com medalha de ouro no Salão Paulista de Belas-Artes. Dentre seus trabalhos destacam-se os vasos em bronze da escadaria monumental do Museu Paulista e o alto relevo em bronze (1923) representando cena histórica, no Panteão dos Andradas, em Santos.

As várias esculturas de Cristo que modelou, existentes no Cemitério da Consolação mostram um Cristo bem brasileiro, com barba idêntica as usadas pelos nossos caboclos e com pés e mãos gordas e não com os dedos finos e alongados dos modelos italianos. Assinava ELIO DE GIUSTO.

ENRICO BIANCHI

Hábil escultor com trabalhos nas necrópoles da Consolação e Araçá. Suas peças mostram, geralmente, motivos sacros: Pietá, Anjo, etc. Assinava E. BIANCHI.

Suas Pietá, em bronze, são esculpidas com grande poder criativo e vigorosa força plástica. A mulher e seu anjo da guarda, em destaque, é o exemplo de uma obra modelada com extraordinário requinte, trabalho executado pela Fundição R. de Mingo.

EUGENIO PRATI (Verona, Itália, 1889 + São Paulo, 1979)

Escultor, pintor e desenhista. Estudou na academia de Belas-Artes de Verona. Participou de Bienais de Veneza. Expôs em Turim, Roma, Polônia, Florença e Milão. Vencedor de diversos concursos na Itália, onde executou numerosas esculturas expostas em praça públicas.

O que caracteriza sua obra são os temas religiosos simbólicos; "Descida da cruz", "Jesus Cristo", "Pietá", "Calvário". Modelou um grande número de esculturas nas necrópoles paulistanas, principalmente no Cemitério São Paulo, nos jazigos de combatentes do Movimento Constitucionalista de 1932. Executou , ainda trabalhos inspirados na arte egípcia e esculturas de encantadoras meninas com vestidos usados nas décadas de 20 e 30 do século passado. Assinava PRATI e E. PRATI.

FRANCISCO LEOPOLDO E SILVA (Taubaté, 1879 + São Paulo, 1948)

Discípulo de Amadeo Zani, estudou em Roma com o grande escultor Arturo Dazzi. Excelente estatuário, hábil modelador, sua produção compreende a figura humana, principalmente o nu feminino, o retrato e a arte religiosa.

Autor do primeiro nu feminino, colocado em 1922 na necrópole da Consolação, onde se encontra a provocante "Solitudo": uma mulher em êxtase envolta num véu translúcido que mais realça suas formas exuberantes, seminudez mais forte porque é sugerida e não mostrada.

Ao contrário de Brecheret, (com quem estudou em Paris no ateliê de Arturo Dazzi), que adotara um pesquisa estilística moderna. Leopoldo e Silva que inicialmente seguira o estilo e a técnica de Rodin daí o vigor de suas esculturas, chegando ao Brasil quedou-se numa manifestação mais conservadora, embora conservando um acentuado lirismo. Assinava L. Silva.

GALILEO EMENDABILI (Ancona, Itália, 1898 + São Paulo, 1974)

Discípulo, em Roma, de Arturo Dazzi, escultor de nomeada internacional. Recebeu influência de Ivan Mestrovic, notável escultor iugoslavo. Escultor, pintor de afrescos e arquiteto.

Autor do Mausoléu do Soldado Constitucionalista, no Ibirapuera, do Monumento a Ramos de Azevedo, na Cidade Universitária e da Igreja de Nossa Senhora da Paz (1940 à 1948) onde trabalhou na parte escultórica e arquitetônica.

Nas suas capelas colocava tijolos refratários com janelas alongadas, como se fosse um Modigliani da Arquitetura. Emendabili mostrava em seus trabalhos grande sensação mítica e sensibilidade emocionante.

No Cemitério da Consolação esculpiu uma obra de impacto expressionista, em bronze: sua primeira Pietá. Mais tarde executaria outros trabalhos sobre o mesmo tema. Assinava G. Emendabili, G. EMENDABILI e GALILEO EMENDABILI.

JEAN MARIE JOSEPH MAGROU (Béziers, França, 1869 + 1936)

Assinava J. Magrou. Famoso escultor francês, autor de várias obras premiadas e conservadas na França modelou o bronze mostrando D. Pedro II lendo um livro, sentado à sombra da árvore, num canto de jardim, como tantas vezes o surpreendera o povo de Petrópolis, onde se encontra a escultura.

Esculpiu, também, o grande São Pedro de Alcântara do alta-mor e as imagens de mármore dos altares laterais da Catedral de Petropólis e as belíssimas estátuas jazentes de D. Pedro II e de Dona Teresa Cristina em mármore de Carrara que se encontram na mesma catedral.

Além de três estátuas jazentes no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro, esculpiu o jazigo do diplomata e escritor Afonso Arinos de Mello Franco, um dos criadores da nossa literatura regionalista, falecido na Espanha, onde ocupava o cargo de Embaixador do Brasil.

O belo trabalho executado em Paris encontra-se no Cemitério da Consolação, contendo a assinatura "J. MAGROU STATUAIRE 1917”.

LUIGI BRIZZOLARA (Chiavari, Itália, 1868 + Gênova, 1937)

Executou trabalhos em bronze, vindos de Gênova e implantados no Cemitério da Consolação, em destaque o Mausoléu da Família Matarazzo, o mais alto e imponente mausoléu da América Latina.

Terminou em 1922 importante grupo escultórico executados por Camiani e Guastini - Fonderia Artística in Bronze, Pistóia, Itália, em homenagem a Carlos Gomes, que se encontra na Praça Ramos de Azevedo, onde mostra Carlos Gomes (3,63m) em mármore, mais dez esculturas em bronze e duas esculturas em mármore com temas relacionados à Música.

Esculpiu, ainda, "Anhanguera" (3,22m) em mármore, 1924, Parque Siqueira Campos, "Antônio Raposo Tavares" (3,50m) e "Fernão Dias Paes" (3,50m) em mármore, Museu Paulista. Obteve o segundo lugar, também ocupado por Nicola Rollo no Concurso para o Monumento da Independência (1919), embora fosse considerado na opinião de muitos o vencedor popular. Assinava L. BRIZZOLARA e L. Brizzolara.

MARMORARIA J. SAVOIA

Conhecida marmoraria de São Paulo, especializada em construção e montagem de monumentos funerários. Executou para Vicente Larocca um grupo escultórico em bronze, de 7m de altura, que se encontra na Rua 37 do Cemitério da Consolação.

Na mesma rua em que se encontra esse grupo escultórico executou a montagem de uma notável réplica miniaturizada de uma catedral gótica, um mármore de carrara, com 12,50m de altura, contendo detalhes que lhe são inerentes. Este último trabalho, vindo da Itália, é de autoria não determinada.

Dentre as obras de valor histórico e artístico do Cemitério da Consolação destaca-se o bronze, em oval (década de 80 do século XIX) no Mausoléu dos Chapeleiros da Fábrica de Chapéus João Alfredo, de AUTORIA NÃO DETERMINADA, onde se vê a fábrica, a maior do gênero em São Paulo na época, situada no local, onde atualmente está localizada a estação do Metrô Anhangabau.

A escultura mostra o córrego que vinha da Ladeira da Memória e levava água para a fábrica, à direita as plantações de chá (origem do nome dado ao viaduto), um filete ao alto, que representa o córrego Anhangabau (que deu nome ao vale), e o córrego Saracura-Mirim (nome das aves pernaltas existentes na região), cuja nascente ficava no Bexiga.

A capela do Barão de Antonina (João da Silva Machado) construída em 1860, em mármore, de AUTORIA NÃO DETERMINADA, encontra-se em perfeito estado de conservação. O brasão de armas do titular do Império mostra o leão rompante, símbolo heráldico, segurando o missal e um terço. O leão está catequizando um índio, depondo as armas em sinal de submissão.

É de se ressaltar que o Barão de Antonina que era tropeiro, por onde passava, no trajeto do Rio Grande do Sul a Sorocaba (local das feiras de animais) fundava povoações e procurava atrair os indígenas para a religião católica.

MATERNO GIRIBALDI (Itália)

Mostra em seus trabalhos ter recebido influência de Augusto Rodin, a mais alta expressão da estatuária do século XIX, dando um acabamento mais aprimorado ao rosto e as mãos de suas figuras, permanecendo o corpo como que inacabado.

Chama a atenção na peça ora mostrada a rica simbologia utilizada pelo artista. A mulher colocada no cimo do monumento, representando a saudade. A mulher com uma criança ao colo, simbolizando a viuvez e a orfandade. Figuras representando a caridade amparando a pobreza. Duas esculturas erguendo uma pira fumegante, em homenagem ao ilustre morto ali sepultado e à sua benemerência.

Cumpre lembrar que o movimento artístico denominado "art-decô" fora introduzido na França a partir de 1925, inspirado na arte oriental, a japonesa, principalmente, mostrando a mulher em movimento, e ao Ballet de Bolshoi que visitara Paris naquela época e impressionara o povo parisiense com sua belíssima coreografia. No mausoléu "art-decô", em destaque, existem ousadias artísticas. Mulheres em bronze, semi-nuas, são projetadas no espaço, circundando a escultura: um navio imaginário apoiado numa farta base de granito. Assinava M. Giribaldi e M. GIRIBALDI.

NICOLINA VAZ DE ASSIS (Campinas, 1874 + Rio de Janeiro, 1941)

Nicolina, considerada a maior escultora brasileira realizou uma obra técnicamente masculinizada e cheia de formosura, transmitindo aos seus trabalhos a sentimentalidade e as delicadezas de sua alma de mulher.

Discipula de Rodolfo Bernardelli, o nosso maior escultor em sua época e do grande escultor francês Jean Alexandre Joseph Falguière, em Paris. Dentre seus trabalhos, executados em São Paulo e no Rio de Janeiro destaca-se a Fonte Monumental, na Praça Júlio Mesquita, em São Paulo.

Casada com o afamado escultor português Rodolfo Pinto do Couto que modelou um belo grupo escultórico em bronze, na necrópole da Consolação. Assinava NICOLINA V. ASSIS e NICOLINA. Na opinião do crítico de arte Clarival Valadares sua escultura no túmulo do General Couto de Magalhães, no Cemitério da Consolação foi a primeira manifestação do "art-nouveau" em São Paulo, mostrando uma figura feminina, simbolizando a glória, homenageando o último presidente da Província de São Paulo.

OTTONI ZORLINI (Treviso, Itália, 1891 + São Paulo, 1967)

Escultor e pintor, estudou Belas-Artes na Academia de Veneza. Foi também ceramista recebendo aulas de Cacciapuoti. Discípulo do escultor Umberto Feltrin. Executou uma série de monumentos funerários por toda a região de Veneza, onde participou de sua Bienal.

Veio para o Brasil em 1929, onde idealizou e construiu em bronze o Monumento aos Heróis da Travessia do Atlântico, homenagem aos aviadores italianos De Pinedo e Del Prete, que se encontra na Praça Nossa Senhora do Brasil.

Na escultura encontra-se um raro capitel corintio presente do governo italiano. Durante alguns anos trabalhou com os pintores do grupo Santa Helena pintando praias, cidades e bairros de São Paulo, principalmente o Canindé. De 1940 a 1944 executou a obra "Discóbulo" (4,00m) em pedra, implantada na Praça Marechal Polidoro, no bairro da Aclimação.

A respeito dessa escultura, disse o jornalista, crítico e historiador de arte Pietro Maria Bardi: "Inspirado no classicismo da escultura ainda vivo na época entre os mestres italianos em São Paulo". Zorlini sempre colocava em suas esculturas funerárias as cruzes alongadas, em mármore ou granito, São Francisco de Assis, pinheiros (árvores naturais ou artificiais ), e chama de uma lamparina, em bronze. Assinava O. ZORLINI.

RODOLFO BERNARDELLI (Guadalajara, México, 1868 + Rio de Janeiro, 1931)

Estudou com Chaves Pinheiro na Academia Imperial de Belas-Artes e teve como mestre Achile Monteverde, em Roma.

Maior escultor ativo no Brasil no final do século XIX e início do século XX. Sua obra mostra acentuada tendência realista, serenidade, equilíbrio e poder criativo. Assinava Rod. Bernardelli.

Dentre suas esculturas destacam-se: "General Osório" (1894), "Duque de Caxias" (1899), "Descoberta do Brasil" em logradouros públicos, no Rio de Janeiro. Mausoléu dos Andradas, em Santos. Monumento a Carlos Gomes (1905), em Campinas. Mausoléu do Presidente Campos Salles (1919), no Cemitério da Consolação, trabalho executado pela Fundição Cavina, do Rio de Janeiro.

ROQUE DE MINGO (São Paulo, 1890 + São Paulo, 1972)

Estudou com Amadeo Zani e Pasquale De Chirico.

Participou da 1º Exposição Brasileira de Belas-Artes, em 1912. Assinava R. DE MINGO, R. De Mingo, R. D. MINGO e R. D. Mingo. Dentre seus trabalhos, destacam-se: "Águia" (1914), granito e bronze, 5,00m na Praça Fernando Prestes. "Lagostas", em bronze (1923), na Fonte Monumental, Praça Júlio Mesquita. Busto em bronze do Marechal José Arouche de Toledo Rondon (1940) na Faculdade de Direito da USP.

A escultura que fundiu para Enrico Bianchi, em destaque nesta exposição mostra a beleza e o fino acabamento das peças que executava. Mingo obteve a grande medalha de ouro no Salão Paulista de Belas-Artes (1959).

VICTOR BRECHERET (Farnese, Itália, 1894 + São Paulo, 1955)

Estudou no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Em 1913 partiu para Roma, onde foi aluno de Arturo Dazzi, tendo obtido três anos mais tarde o primeiro lugar na Exposição Internacional de Roma com sua obra "Despertar".

Recebeu, ainda, a influência de Bourdelle, Mestrovic Brancusi e Rodin. Tendo retornado ao Brasil executou a escultura "Eva", inspirado em Rodin. De volta a Europa, graças a uma pensão do governo participou do Salão de Outono de Paris tendo sido seu trabalho "Templo de Minha Raça" premiado dentre obras de mais de 4.000 competidores.

Em 1923 foi novamente premiado no Salão de Outono com a belíssima escultura, em granito, "Sepultamento", e, no ano seguinte expôs "Portadora de Perfume", modelada em mármore em diversos volumes esféricos, executada por Brecheret com a mesma força expressiva que caracterizou mais tarde suas obras monumentais. Um dos fundadores do Salão das Tulherias, em Paris.

Em 1922 participou da Semana da Arte Moderna. Na I Bienal de São Paulo recebeu o prêmio de Melhor Escultor Nacional. Sua obra "Fauno", que lembra Bourdelle, em granito (3,40m e pedestal de 1,72m) que modelou num corajoso ímpeto pagão, melhor se ajusta no ambiente silvestre do Parque Siqueira Campos, onde se encontra.

O "Monumento às Bandeiras" (1953), em granito, com 40m de comprimento e figuras de 8m de altura é considerado o mais belo dos nossos monumentos. O "Monumento ao Duque de Caxias", em bronze, é a mais gigantesca estátua eqüestre das Américas, e talvez do mundo (15,88m e pedestal de granito de 25,28m, num total de 41,06m).

Para as necrópoles paulistanas plasmou obras que encantam, onde alia o refinamento da arte clássica ao vigor da arte moderna. Os "Grandes anjos" (bronze) no Cemitério São Paulo, e escultura em mármore no túmulo da poetisa Francisca Júlia da Silva, no Cemitério do Araçá, demonstram a genialidade do artista.

No grupo escultórico em granito "Sepultamento" (2,26m x 3,65m) executado em 1923 para o jazigo de dona Olívia Guedes Penteado, no Cemitério da Consolação modelou o artista a cena da Pietá (Cristo e sua mãe) e as santas mulheres: Maria Madalena, Maria de Cleofas, Santa Isabel, que era prima de Nossa Senhora, e uma quarta mulher, que não consta na Bíblia, mas que talvez seja uma alusão à Dona Olívia, que era a sua protetora. Essas figuras seqüenciais mais tarde foram adotadas pelo artista no "Monumento às Bandeiras".

Certa vez Brecheret resolveu, com sua arte, chegar mais perto das sociedades primitivas e criou algumas formas de alto valor mítico aproveitando pedras arredondadas, em seu estado natural, transformando-as em peças que expressassem um motivo nacional. E plasmou "Índia e o Peixe", "Veado enrolado", "Zebu", "Drama Marajoara", "Mãe Marajoara", "Virgem Indígena", "Casal de Pombos".

Brecheret, quieto, modesto, trabalhador infatigável, modelou desde gigantescas esculturas até pequenas estátuas e pedras que encontrava em seu caminho. Sua glória está na arte que concebeu. Com ela, sem o saber, construiu seu próprio monumento. Assina V. Brecheret.

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