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Conta o sr. Domingos Brandão - químico, descendente e pesquisador da história dos imigrantes alemães do bairro de Colônia - um fato que para ele até hoje não tem explicação. Um casal muito apaixonado, foi impedido de casar-se devido a oposição da família da moça, que infelizmente, pouco tempo depois veio a falecer. Anos depois o rapaz - já idoso - também veio a falecer, e curiosamente estava internado em um hospital onde o Sr. Domingos prestava serviço. O estranho nessa história é que no mesmo horário do falecimento desse senhor, na sepultura da moça pela qual fora tão apaixonado subiu uma bola de fogo - ou "fogo fátuo". Chama de um amor eterno que só então se apagou? Quem sabe? A história do sr. Domingos foi contada para a equipe Cemiteriosp pela simpática Denise, escriturária do cemitério de Colônia há nove anos. Agradecemos a receptividade, Denise! Fotos |
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O Cemitério
da Consolação denominado primeiramente Cemitério
Municipal, foi edificado na segunda metade do século XIX. Dessa forma, em agosto de 1858, a cidade de São Paulo inaugurou seu primeiro Cemitério Municipal, localizado em área periférica, distante portanto, do centro urbano. Isso numa época em que São Paulo era uma cidade muito diferente daquela que conhecemos. |
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A localização distante
da área urbana era condição essencial para a garantia
de salubridade da área urbana então restrita àregião
que nos dias de hoje corresponde ao centro velho - ruas Quinze de Novembro,
Direita e São Bento. Nos primeiros anos de criação
o Cemitério da Consolação recebia pessoas de várias
origens e classes sociais, desde escravos, pobres, estrangeiros e agregados
até senhores de escravos e homens livre abastados. |
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No túmulo de mármore branco onde se encontram os restos mortais da famosa marquesa estão duas plaquetas: uma atribui à ela a doação das terras do cemitério, o que até o momento não é comprovado documentalmente, e outra, que agradece à Domitila a graça recebida. Esta segunda pode parecer estranha, mas curiosamente conta-se que a amante de D. Pedro I é tratada como santa por alguns visitantes que nela procuram solução para uma série de problemas, desde financeiros até conjugais. Segundo o guia do cemitério, o túmulo de Domitila de Castro está sempre repleto de flores vermelhas em retribuição às graças recebidas no campo amoroso. Entre outros túmulos de personalidades estão os de Dom José Gaspar, Marquês de Itú, Rangel Pestana, João Adolfo e outros que trazem à lembrança nomes de ruas, praças e locais bem conhecidos do cotidiano do paulistano. Lá está, inclusive, o túmulo do próprio Libero Badaró, que além de médico, jornalista e político defensor dos ideais liberais, é considerado um mártir da liberdade de imprensa, e foi assassinado a mando do Ouvidor Ladislau Japi-Assú durante a crise do Império. Badaró era também um dos defensores da criação de cemitérios públicos, e sua lápide ostenta a frase: "Morre um liberal mas não morre a liberdade", que teria sido dita por ele antes de morrer. |
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No Cemitério da Consolação
também é possível encontrar o mais alto mausoléu
da América do Sul, pertencente à família Matarazzo,
situado na quadra 82. Em estilo pós-renascentista é um colosso
que ocupa 16 terrenos, numa área com mais de 100 metros quadrados.
Construído com blocos de granito, tem no topo cinco conjuntos estatuários
de bronze, de autoria de Luigi Brizzolara, exibindo, uma pompa difícil
de achar até em monumentos de praças públicas. O
império Matarazzo entrou em decadência, sua fábrica
de Água Branca virou ruína, a mansão na Avenida Paulista
veio abaixo, mas o mausoléu da família está lá
inteiro, como uma pirâmide de faraó, perpetuando um período
de grandeza e poderio econômico que não existe mais. |
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Por este motivo as famílias
e amigos, a partir da primeira década do século XX, contratavam
construtores e escultores de renome, em sua maioria de origem italiana
ou com formação na Europa, como Victor Brecheret, Luigi
Brizzolara, Galileo Emendabili, entre outros para construírem e
ornamentarem os túmulos das ilustres personalidades.
Esses túmulos ricamente ornamentados, verdadeiros monumentos de granito, mármore de Carrara e bronze; ou mesmo simples e despojados, testemunham importantes fatos da história social de São Paulo e do Brasil. Trazem a nosso conhecimento figuras de grande representação na vida política e cultural, cujos feitos trouxeram seus feitos grande repercussão na cidade e no país. |
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Entre as obras de arte mais
importantes no Cemitério da Consolação está
“Sepultamento” (Mise au tombeau) (Quadra 6A – terreno
09), de autoria do escultor paulista Victor Breccheret, que está
sobre o jazigo de Olívia Guedes Penteado (patronesse do movimento
modernista). A obra esculpida em granito, com 2,26 metros de altura e
3,65 de comprimento, é datada de 1923, e garantiu ao autor um prêmio
no Salão de Outono de Paris, também em 1923. Na peça
Brecheret esculpiu em granito uma Pietà, junto com as três
Marias. |
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Um conjunto escultural muito tocante
é, sem dúvida, a obra “Lenda Grega” de autoria
do artista Nicolla Rollo, que representa a tragédia do casal Orfeu
e Eurídice.Orfeu era o músico lendário, filho da
musa Calíope, que enternecia até as feras com a sua música,
um cantor maravilhoso e que tocava divinamente a lira e a cítara,
instrumento este cuja invenção lhe é atribuída.
Ao ouví-lo cantar, as feras o seguiam, as árvores se inclinavam
em sua direção e até os homens mais irascíveis
se acalmavam.
Orfeu participou da famosa expedição dos Argonautas. Durante a viagem, apaziguava as ondas com sua música e, com ela, conseguiu até anular o efeito do hipnótico canto das sereias e salvar o navio.A cena esculpida por Nicolla Rollo mostra Orfeu tangendo a sua lira, com a qual encantava os animais e as plantas, tentando trazer à vida a esposa, tudo isso em vão. |
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Neste período que ficou conhecido
como a “Belle Époque paulistana”, a elite, para firmar
status, passou a imitar os hábitos parisienses ocasionando o afrancesamento
e a europeização da arquitetura, moda, festas e convenções
sociais, com o intuito de desenvolver na vida da cidade o ar cosmopolita,
moderno e intelectual tão almejado.
O mesmo pode se dizer em relação aos sepultamentos e a ornamentação dos túmulos. No pensamento da elite da época, aquele que realizou em vida atividades de relevância para a sociedade, deveria ter uma morada à altura de sua importância social. Assim como os palacetes expressavam a posição do indivíduo e o seu status social, da mesma maneira a última morada deveria servir de ápice desta ostentação, marcando na forma de um monumento a evidente superioridade social do proprietário. Por este motivo as famílias e amigos, a partir da primeira década do século XX, contratavam construtores e escultores de renome, em sua maioria de origem italiana ou com formação na Europa, como Victor Brecheret, Luigi Brizzolara, Galileo Emendabili, entre outros para construírem e ornamentarem os túmulos das ilustres personalidades. Esses túmulos ricamente ornamentados, verdadeiros monumentos de granito, mármore de Carrara e bronze; ou mesmo simples e despojados, testemunham importantes fatos da história social de São Paulo e do Brasil. Trazem a nosso conhecimento figuras de grande representação na vida política e cultural, cujos feitos trouxeram seus feitos grande repercussão na cidade e no país. |
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No que se refere à arte
presente no Cemitério da Consolação e outros que
surgiram no fim do século XIX e início do século
XX, suas principais referências estéticas são a art
noveau e o modernismo, o que explica o aspecto suave de suas esculturas,
diferentes do tom fortemente macabro presente nas esculturas de alguns
cemitérios europeus, o que pode ser observado, mesmo nas dramáticas
pietàs e figuras de mulheres que se debruçam lânguidas
sobre os túmulos, como a belíssima mulher que chora com
uma trança pendente sobre o túmulo do maestro Chiafarelli
(Rua 11 – terreno 36), de autoria de Nicola Rollo. |
Fontes: |
Partes Revista Virtual: matéria sobre arte
tumular. http://www.partes.com.br/especial_sp_450/artetumular.htm Portal da Prefeitura de São Paulo: Projeto
Arte Tumular São Paulo – Museu a céu aberto. |
Entretanto, nas visitas que fiz
ao cemitério, tirei fotos sem problemas também, apesar de
não recomendar que façam o mesmo, pois é melhor evitar
transtornos e fazer a solicitação prévia. |