O Cemitério
de Escravos |
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Que histórias
de assombrações habitam o imaginário de crianças
e adultos, não é novidade.Entretanto, nunca imaginamos que
aconteceria conosco. Tudo ocorreu em nossa fazenda no município
de Carpina, no interior de Pernambuco. Essa fazenda está na família
desde o tempo dos engenhos de cana-de-açucar, quando o sistema
escravista ainda era dominante.
O marasmo dos dias na fazenda era quebrado com longos papos sobre assombrações, até que um dia aconteceu o inesperado. Estávamos todos sentados no terraço; era tarde, quase meia noite, quando ouvimos gemidos de dor aterrorizantes. No começo, pensávamos ter sido apenas alucinações, até que nossa avó chegou. Estava apavorada, achando que algo de ruim havia acontecido com alguma de nós. |
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Quando percebeu que
todas estavam bem, lembrou de uma lenda antiga, contada pelo administrador
da fazenda. Ele dizia que, em certas noites, um homem negro, muito alto
e forte, usando roupas surradas, aparecia próximo ao matadouro
da fazenda. E aquela não foi a única noite em que ouvimos
os gemidos. Ainda durante aquelas férias, depois de uma noite em
que os lamentos foram mais intensos, apareceu um boi morto, sem nenhum
motivo aparente.
Passado algum tempo, nossa avó resolveu construir uma piscina, entre a casa e o matadouro. Ao começarem as escavações, foram achadas varias ossadas humanas. Ficamos curiosas e resolvemos pesquisar sobre o passado da fazenda. Fomos falar com a pessoa mais velha da família: uma tia-bisavó. Essa nos contou que o local escolhido para ser construída a piscina era exatamente o lugar onde havia um cemitério de escravos! Mesmo sabendo da existência deste cemitério, resolveram construir a piscina. Depois que a piscina ficou pronta, os barulhos noturnos só pioraram. Além dos gemidos, barulho de correntes são ouvidos... Testemunho de Natália, Letícia e Joana |
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