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Cemitérios públicos de Natal não têm mais nenhuma vaga
Não há vagas. Esta não é uma expressão usada somente para escolas superlotadas ou hospitais saturados. Os cemitérios públicos de Natal estão levantando essa bandeira. Não existem faixas ou cartazes nos muros amarelados, mas basta andar pelas “ruas” dos cemitérios e conversar com os administradores para perceber essa realidade. Há 12 anos não existem espaços à venda. A cruz indicando que alguém descansa ali está fincada em espaços inusitados. Estão em brechas, apertos, ruelas, sobre uma areia barrada, remexida pelo tempo e pelos visitantes diários.

Comprar túmulos nos cemitérios públicos se revela tarefa árdua e quase impossível. Todos estão vendidos. Somente aquelas famílias que já têm jazigos aforados (comprados) é que podem repassar o local para um novo comprador. Embora não haja mais túmulos à venda, ninguém fica sem ser enterrado. As famílias usam os jazigos mais de uma vez. E quando uma pessoa não possui familiares nos cemitérios da cidade, nem jazigo comprado, ela é sepultada em espaços provisórios ou em “brechas”, como dizem os administradores de cemitérios.

Natal possui atualmente oito cemitérios públicos que juntos somam 28.750 jazigos construídos. Mesmo conhecendo esse valor, não se pode calcular o número de sepultados com precisão. Cada cemitério tem administração própria, porém nada é informatizado. Em alguns, como o de Igapó, as pastas com papéis (escritos à mão) contendo informações sobre os enterros, estão empilhadas no chão.

João Ribamar da Silva, administrador do maior cemitério público da cidade, Bom Pastor II, estima que cerca de 60 mil pessoas já foram enterradas no local. Além dos túmulos, os espaços de terra entre eles são usados para acomodar caixões provisoriamente. A taxa cobrada pelo sepultamento é de R$25,14 e a família não precisa pagar nada mais pelo uso do espaço. Dois anos após o enterro, os restos mortais podem ser removidos e entregues às famílias, caso haja interesse.

No cemitério do Alecrim, o mais antigo da cidade, nem mesmo as brechas existem entre os cinco mil túmulos. Apenas parentes das famílias que possuem jazigos aforados podem ser sepultados ali. O administrador do cemitério, Raimundo Francelino, calcula que em média, são realizados 30 enterros por mês, mas não sabe dizer quantas pessoas estão enterradas lá. A taxa paga ao cemitério do Alecrim pela família é de R$ 88,00, quase quatro vezes maior do que a taxa do Bom Pastor II.

Em Igapó, uma cena interessante é vista. Placas de diversas cores e formatos fincadas na areia ou nos túmulos indicam que aquele terreno é “próprio”. “O pessoal faz isso para evitar que gente de fora use o terreno que é propriedade privada”, afirma Altanir André Nascimento, administrador do cemitério de Igapó.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o número de mortes registradas em Natal em 2005 foi de 4.460. Em 2006 esse número subiu para 4.660 mortos. O IBGE ainda não disponibiliza o número referente a 2007. Até o final do ano, a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SEMSUR) pretende inaugurar um novo cemitério público com 3.700 túmulos no bairro Planalto. A Secretaria assegura que o Parque das Rosas seguirá as normas de proteção ambiental e que o cemitério suprirá a demanda da cidade, ao menos, pelos próximos seis anos. A obra conta ainda com uma capela e um salão de velório.

A Semsur é responsável pela fiscalização, limpeza, iluminação e segurança dos cemitérios. Os túmulos são particulares, ou seja, cabem aos familiares o cuidado e a limpeza. “A guarda municipal faz as rondas noturnas, não temos vigias suficientes para colocar nos cemitérios, devido questões orçamentárias. O número de roubos diminuiu com a nova iluminação e as rondas”, afirma Socorro Galvão, secretária da Semsur. As pessoas devem procurar a Secretaria para legalizar túmulos, transferir ou adquirir uma licença. O orçamento previsto com os gastos nos cemitérios em 2009 é de R$ 350.0000, tendo como prioridades os cemitérios de Bom Pastor I e II.

Rede privada disponibiliza 11.900 jazigos

A única maneira de fugir da superlotação dos cemitérios públicos da cidade é recorrer aos dois únicos cemitérios privados do Estado, o Morada da Paz e o Parque da Passagem. Após 45 anos no ramo de funerárias, o Grupo Vila iniciou em 1993 o trabalho com cemitérios e atualmente é o único grupo que oferece esse tipo de serviço, além da prefeitura. Ao todo, os dois cemitérios privados disponibilizam 11.900 jazigos com a possibilidade de ampliar para 30 mil. No Cemitério Morada da Paz, dos 6.400 jazigos cerca de dois terços estão ocupados, enquanto que no Cemitério Parque da Passagem, somente um quarto dos 5.500 estão em uso.

De acordo com Héber Vila, gerente de operações do Grupo Vila, há um controle para a construção de novos jazigos em ambos os terrenos. “Geralmente no início do ano construímos quadras para atender a demanda do ano”, afirma Héber. A média mensal de sepultamentos nos dois cemitérios privados é de 90. Este é também o valor estimado de sepultamentos somente no cemitério Bom Pastor II. Diferentemente dos cemitérios públicos as pessoas podem se planejar com antecedência. “A grande maioria compra antecipadamente”, relata o gerente do Vila. O investimento em um jazigo no Morada da Paz é de R$ 5.490 enquanto que no Parque da Passagem é de R$ 2.375. Após adquirir a área, uma taxa de manutenção é cobrada mensalmente. O valor mensal de R$ 26,40 no Morada da Paz é superior à taxa única de R$ 25,14 paga em cemitérios públicos como o de Igapó, Pajuçara, Bom Pastor I e II.


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