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Cemiterio da China em Crise

China vive a crise dos cemitérios
Parentes visitam o túmulo de seus antepassados no Cemi´tério Babaoshan, em Pequim: metro quadrado mais caro do que num imóvel de luxo
A crise financeira pode ter derrubado o preço dos imóveis principalmente na Europa e nos Estados Unidos, mas na China ao menos algumas propriedades só fizeram subir em valor. É o caso dos jazigos em cemitério, que estão literalmente pela hora da morte. Em um dos cemitérios mais requisitados de Pequim, o metro quadrado chega a custar quase R$ 23 mil – e somente por um período de 20 anos. A alta no preço de covas e jazigos tem ligação direta com a supervalorização dos imóveis na China. Com a chegada neste final de semana do festival anual de “Qingming”, milhões de chineses visitam os cemitérios e locais de descanso de seus antepassados para limpar as sepulturas e trazem oferendas aos mortos, como flores, comidas e objetos..

Um jornal da cidade de Harbin chegou a colocar na manchete “Pobre demais para viver, agora pobre demais para morrer” referindo-se aos preços exorbitantes nos cemitérios – que custam muitas vezes mais do que o metro quadrado de apartamentos de alto padrão.
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O assunto chegou a ser discutido pela Assembléia do Povo, com delegados alegando que os preços de jazigos estão muito mais caros do que mobiliar uma casa inteira.

O governo chinês tem tentado, em vão, tomar medidas para resolver o problema. Até o final do ano deve ser criado o primeiro cemitério para aqueles que não podem pagar muito. Em vez de serem enterrados, os restos mortais do ente querido seriam cremados e colocados em urnas por no máximo R$ 982. Esta semana, um jardim de Pequim começou a anunciar que por R$ 325 qualquer chinês poderia repousar em uma “ecotumba”.

Mas o maior luxo, no momento, é ter dinheiro para pagar por uma vaga no Cemitério Babaoshan, em Pequim, onde os terrenos têm preço inicial de R$ 23 mil por metro quadrado. Infelizmente, apesar do investimento, não é para a toda a vida: trata-se de um contrato de 20 anos, após o qual os parentes do morto têm de pagar novamente a taxa para que ele não passe pelo vexame de ser despejado.

Aliás, o cemitério tem uma “lista de espera”, já que todos os terrenos estão “esgotados”, segundo um representante de vendas.

Isso deve explicar como a indústria de funerais se mantém no ranking anual dos dez negócios mais lucrativos na China desde 2003. Os custos de cerimônias ligadas a enterros também são muito caros. Em função disso, muitos chineses estão expressando o desejo por cerimônias de adeus muito mais simples, como ter suas cinzas espalhadas no mar.


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