Santos Populares em Cemitérios

“Jovem desconhecida” ainda atrai centenas de pessoas ao cemitério
O túmulo da jovem é o mais visitado
O Dia de Finados, movimentou os cemitérios de São João del-Rei. Mais de três mil pessoas passaram somente pelo Cemitério Municipal durante todo o dia, segundo informações do coveiro Darci Mateus de Paula. Além de reverenciar parentes, amigos e companheiros mortos, os são-joanenses aproveitaram para comparecer ao túmulo mais visitado, o da “jovem desconhecida”.
Piedade, fé e também muita curiosidade levaram centenas de pessoas a depositarem flores, acenderem velas ou simplesmente observarem a sepultura da menina, morta no dia 1º de janeiro de 1970. Relatos dos presentes divergem sobre a maneira como ela foi assassinada. Não se sabe, também, qual era seu nome e tampouco a sua origem. A única certeza é que sua misteriosa morte comoveu a população, que, desde então, passou a freqüentar o cemitério para orar pela alma da jovem e, ainda, fazer pedidos.
Zuleima Barbosa Félix se mudou para São João del-Rei em 1982 e “desde então acendo vela para a menina e já tive diversas graças alcançadas”, contou. Ao contrário de Zuleima, que conheceu a jovem através de comentários do povo, Mercês Amaro acompanhou toda a história. E desde o assassinato ela vai ao cemitério rezar, agradecer e rogar. A devoção à “jovem desconhecida” é tão grande que foi passada para outras gerações da família, como a sua filha, que à época tinha apenas um ano de idade e agora, com 36, acompanha a mãe nas visitas ao jazigo. “Quando queremos ter alguma solicitação atendida, visitamos o túmulo durante oito segundas-feiras consecutivas”, explicou Mercês Amaro. - LINK

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Santos populares se mantêm no imaginário
Túmulo de Severa Romana: homenagens por graças continuam

> Sepultura de Josephina, a “moça do táxi”: milagreira popular <

BELÉM (PA) – Dezenas de placas em mármore estão espalhadas ao redor da lápide 25-762 no cemitério Santa Izabel. Em todas, as mesmas palavras: "Em agradecimento à graça alcançada". O túmulo é de Severa Romana Pereira, uma jovem de 19 anos assassinada por ter resistido a uma tentativa de estupro.

Conta a história que ela estava grávida e seu sofrimento virou sinônimo de santidade. Conhecida como a "Mártir da Fidelidade", suas histórias sobre milagres chegaram a ser recolhidas nos anos 70 para uma possível beatificação. O processo não foi em frente, mas isso não tirou a fé dos que a zeram mais uma santa popular.

Em Belém, aliás, vários personagens como Romana alcançaram a santidade pelo carisma popular, embora não sejam reconhecidos pela igreja. Durante todo o ano, os cemitérios recebem pedidos, orações e promessas. Aprovação nos estudos, emprego, cura, sorte no amor: tudo é motivo para pedir e rezar por estes santos populares. Quem nunca ouviu histórias s obre a "moça do táxi"?

A dona-de-casa de 59 anos Maria Bernadete Santana, relembrou esta semana no cemitério de Santa Izabel o dia em que alcançou um milagre, segundo ela, graças às intervenções de Josephina Conte. Há doze anos, seu marido estava muito doente com suspeita de câncer de próstata.

"Eu estava desesperada. Por acaso, li no jornal sobre a Josephina. Na hora que eu li, eu senti que iria alcançar uma graça se eu viesse aqui à sepultura", conta ela, que, sem explicação, foi para o cemitério com o neto. Túmulo de Severa Romana: homenagens por graças continuam Sepultura de Josephina, a "moça do táxi": milagreira popular "Eu não sabia nem onde eu estava e vi um túmulo. Foi uma coisa muito estranha. O meu marido ficou bom".

Em frente ao túmulo de Josephina está enterrada Neila Cristina Oliveira Almeida, morta aos 15 anos em um acidente de trânsito. Há 20 anos, seu pai, Nélio da Costa Almeida, 53, zela pelo túmulo da lha. "As pessoas pedem e, pelo que estou vendo, muitas já alcançaram alguma graça. Não sei como começou, mas é bom. Nos conforta saber que ela está fazendo o bem para as pessoas".

"O milagre é a busca de uma intervenção sobrenatural que ameniza alguma dor ou necessidade. É daí que surge a crença", analisa o antropólogo João Simões. "Os antropólogos até se perguntam: quem faz milagre, `faz milagre e por isso se crê que ele faz milagre', ou `se crê que ele faz milagre, e por isso o milagre se faz'?". A resposta? Só a fé pode esclarecer esse mistério. - LINK

 

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